Nossos filhos nos levaram pra comer no Montechiaro, que eu frequento desde que era Giovanni Bruno, depois pegou fogo, depois casei, tivemos os filhotes e agora é a vez deles...são quase quarenta anos de histórias, de conversas, de nhoque com frango, de talharine aos quatro queijos, de arroz com frutos do mar, de vinho chileno, dos posters e cartazes de peças e shows (de rock, inclusive) colados nas paredes, da classe teatral...éramos uma verdadeira Grande Família. De repente o Raul Cortez, o Paulo Autran, o Sérgio Mamberti, a Maria Della Costa, o Ricardo Petraglia...a gente jantava depois da peça e ficava até de manhã: tomávamos café da manhã no Montechiaro, alguém se lembra? Claro que não pois hoje a Cantina (Trattoria?) Montechiaro fecha lá pela meia noite, mas o Bixiga continua...E depois tem gente que vem falar de São Paulo! Carinho moçada, pela nossa megalópolis psicodélica, sim, cheia de nós todos, de nossos sentimentos, recordações e esperanças.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
40 ANOS DE ROCK'N'ROLL
APOKALYPSIS, palavra grega que significa Revelação, é o trabalho autoral de rock brasileiro que José Luiz Alves Barreto, o Zé BRasil, desenvolve desde 1974. Músico desde criança, bacharel em arquitetura, é cantor, compositor, violeiro e baterista auto didata. Na sua formação musical destacam-se o violonista Henrique Pinto (violão clássico), os maestros Walter Lourenção (história da música) e Nelson Ayres (arranjo) além de cursos de música na Fundação das Artes de São Caetano do Sul, teoria musical com Léa Freire e piano com Ricardo Breim no CLAM (escola do Zimbo Trio) e composição e regência nas Faculdades Integradas Alcântara Machado. Inspirado desde os anos 50 pela música erudita, brasileira, jazz e, principalmente, pelo rock’n’roll, sua vocação profissional desperta em 1968 estimulada pela convivência com os tropicalistas Waly Salomão, Gilberto Gil, Caetano Veloso e o pintor Antonio Peticov. Conhecido como Zé da Batera começa a se apresentar ocasionalmente como baterista, cantor, compositor e a partir de 1971 inicia-se profissionalmente como músico de teatro e participa como percussionista do programa Encontro na TV Cultura com Nydia Licia. Estréia como Zé BRasil no teatro TBC em 1972. Em 1973, depois de uma temporada nos EUA onde toca nas ruas, bares e casas noturnas de San Francisco, volta a São Paulo e funda a banda de rock Space Patrol com Arnaldo Baptista, recém saído dos Mutantes, e os guitarristas Alan Kraus e Marcelo Aranha. Apresentam-se em shows no Parque do Ibirapuera em dezembro de 1973 e janeiro de 1974. Em meados de 1974 cria o APOKALYPSIS com o multi instrumentista José Carlos Prandini, o tecladista Tuca Camargo e o contrabaixista Edu Parada. É contratado pelos empresários Fernando Tibiriçá (1974) da Trinka Produções Brasileiras, e Gabriel Neto (1975). Em outubro de 1974 o APOKALYPSIS participa do Festival da Geodésica no Parque do Ibirapuera e em novembro estréia no TUCA. Também participam de jam-sessions na Tenda do Calvário promovidas por Magnólio. As principais apresentações da banda acontecem no programa Aleluia! da TV Tupi com Fábio Júnior, nos teatros Aquarius, João Caetano, Universidade Mackenzie e Bandeirantes, nos festivais de Águas Claras (Iacanga) e Banana Progressiva, no Rock da Garoa (ginásio Maracananzinho, Rio de Janeiro) e no Opus 2004. Em novembro de 1975, Zé BRasil conhece a cantora Silvia Helena e desde então fazem música na Europa e no Brasil. Lançam em 1976 o compacto simples Maytrea & Silvelena pelo selo Atmosfera de Malcom Forest, gravado no estúdio Sonima, distribuído pela CBS. O disco traz as músicas Amar e Novo Éden, de Zé BRasil que também toca bateria, com os músicos Paulo Machado (arranjos e piano), Egidio Conde (guitarra) e Gerson Frutuoso (baixo). Em 1977 Zé BRasil & Silvia Helena recriam o APOKALYPSIS com o guitarrista Índio Faria (depois Roberto Fernandes), o tecladista William Forghieri (Blitz), o baixista Osmar Murad e casam-se em novembro do mesmo ano. Apresentam-se nos teatros da FGV e Treze de Maio e participam, com a música Forró Danado, do disco Billy Bond y Los Jets gravado no estúdio Eldorado e lançado na Argentina. Zé BRasil & Silvia Helena, em agosto de 1978, viajam para Londres, Inglaterra, com o guitarrista Roberto Fernandes e o tecladista William Forghieri. Estréiam no Tramshed Theatre em Woolwich e apresentam-se na Universidade de Reading, em casas de shows como Lyceum Ballroom e Café Royal, participam do Notting Hill Carnival na estréia da London School of Samba, são entrevistados por Bob Feith para a Rede Globo e por Ana Maria Cavalcanti para a BBC Radio. Gravam no estúdio Free Range o compacto duplo Brazilian Wave pelo selo Natural Records, criado com os produtores Clodomir de Castro e Nick Abson, e distribuído na Inglaterra pela Pinnacle Records. Como músico, Zé BRasil participa de gravações nos estúdios CBS e Gooseberry, entre outros, com artistas internacionais de reggae, disco e funk como a banda FBI. Também toca em audições e ensaios com bandas de rock, heavy metal, rhythm and blues e punk como Slits e de shows com a cantora Sandra Mara. Zé BRasil & Silvia Helena vão para Paris, França, em 1980 onde se apresentam em casas noturnas como Le Discophage, Le Chevalier du Temple e Via Brasil. Como músico Zé BRasil toca com artistas como a dupla Les Etoiles. Em Toulouse apresentam-se no Café Theatre La Grange aux Belles e são entrevistados pela Radio France Inter. Já em 1981 vão até Barcelona, Espanha, conhecem o cantor flamenco Blás Maqueda, se apresentam na Casa de Andalucia e são entrevistados pela Radio España. Contratados pelo empresário Clodomir de Castro excursionam até Cannes, se apresentam no Blue Moon Club e participam do MIDEM com o disco Brazilian Wave. Voltam a Londres para lança-lo na casa de shows The Venue da Virgin Records. Retornam ao Brasil em fevereiro e iniciam o lançamento do disco inglês apoiados pelo trio Delinqüentes de Saturno com músicos como os guitarristas Edgard Scandurra (IRA!) e Renato Nunes, o baterista Victor Leite (Muzak) e os baixistas Maurício Rodrigues (Ultraje a Rigor) e Marcos Delduque. Apresentam-se no Ginásio das Faculdades Oswaldo Cruz, nos teatros TUCA, Nydia Licia e Nelson Rodrigues (Guarulhos), no Carbono 14 e no Hong Kong. Criam o grupo UHF em 1983 e estréiam no programa Fábrica do Som da TV Cultura, com Tadeu Jungle, no teatro do SESC Pompéia. A seguir o UHF se apresenta no programa Realce com Mister Sam na TV Gazeta, Balancê com Fausto Silva na Radio Globo, no teatro Lira Paulistana, nas danceterias Radar Tan Tan, Raio Laser, Latitude 3001, nas Ondas Tropicais com Sonia Abreu na chopperia do SESC Pompéia, no Rota 86 do Centro Cultural São Paulo, no Mercado Velho de Santo Amaro, no QG, no Rainbow e no Rose Bon Bon. Participam da fase paulistana do UHF músicos como Akira S, Kim Kehl, Tuco Marcondes (Zeca Baleiro), Hugo Hori (Funk Como Le Gusta) e Rodolfo Braga (Joelho de Porco). O grupo inicia como power-trio (guitarra, baixo e bateria), depois tecnopop com teclado e bateria eletrônica, volta a ser uma banda de rock (guitarra, sax, baixo e bateria) e power-trio novamente em 1986. Neste ano Zé BRasil monta o estúdio Alquimia com a empresária Bety Cauã. Zé BRasil & Silvia Helena, já com seus dois filhos Alexandre e Andréa, mudam-se para Rio Claro, São Paulo, em 1987. Desde 1988 Zé BRasil tem a produtora UHF Vídeo, Áudio e Multimídia produzindo discos, jingles, trilhas, vinhetas, computação gráfica, institucionais, spots, comerciais, documentários, programas políticos, programas de rádio, programas de televisão e DVDs. O UHF, a partir de Rio Claro, com músicos locais como Aquiles Faneco, Rogério Cerri e Eduardo Hebling, apresenta-se em teatros, ginásios, clubes, boates, bares, rádios, televisões, é premiado no Festival Internacional da Canção pela Paz de Atibaia, no Festival Cordeiropolense da Canção de Cordeirópolis e finalista no Festival Ecológico de Santos. Em 1989 lança o LP UHF, gravado em São Paulo no estúdio Máster, pela Natural Records. Participa do programa Boca Livre da TV Cultura, com Kid Vinil, no teatro Franco Zampari em São Paulo. Durante a década de 90 Zé BRasil & Silvia Helena dedicam-se à produtora UHF Vídeo, Áudio e Multimídia, realizando trabalhos publicitários, empresariais, culturais, esportivos, discos, programas de televisão e de marketing político destacando-se as campanhas majoritárias vitoriosas de 1996 e 2000 em Rio Claro. No final do ano 2000 Zé BRasil retorna à São Paulo com a família e monta a produtora na Vila Madalena. Volta a dedicar-se exclusivamente à música desde 2005 compondo, gravando, apresentando-se ao vivo com o APOKALYPSIS em diversas formações e promovendo as Celebrações do Movimento 70 de Novo. Destacam-se nos últimos anos a participação no CD Sim São Paulo (2004) do selo Unimar produzido por Luiz Calanca, os lançamentos dos CDs 1975 em 2005, 70 de Novo (com participações especiais dos guitarristas Norba Zamboni, Roberto Gava e do baixista Osmar Murad) em 2007, 1974 em 2009 pela Natural Records e as participações na Homenagem à Rogério Duprat no Centro Cultural São Paulo, nas comemorações dos 40 Anos de Woodstock no espaço Néctar (Rio de Janeiro) e no Rock na Vitrine na Galeria Olido em São Paulo. Zé BRasil tem músicas em parceria com Arnaldo Baptista, Nico Queiroz, Chico Bezerra e Marcos Delduque. Como produtor fonográfico, intérprete, compositor, arranjador ou músico participa a partir de 1977 de um compacto simples e um LP internacionais, um LP e dois CDs. Atualmente o APOKALYPSIS, de Zé BRasil & Silvia Helena, apresenta um show eletro-acústico em duo ou banda com músicas setentistas e atuais, incluindo o rock’n’roll Cabelos Dourados com letra de Arnaldo Baptista escrita em 1974 e música de Zé BRasil composta em 2005.
quarta-feira, 10 de março de 2010
SPACE PATROL
A Space Patrol pode ser considerada uma madrasta da Patrulha do Espaço. Foi fundada pelo Arnaldo Baptista, pelo Marcelo Aranha e por mim em novembro de 1973 depois que voltei dos Estados Unidos. No início tinha também o Alan Kraus, que além de guitarrista e técnico de som, trabalhou em Woodstock e deu o nome Space Patrol para a nossa banda. Fizemos duas apresentações no Parque do Ibirapuera: a primeira, que também foi a estréia do Zé BRasil violeiro, em dezembro de 73 e foi a única vez em que o Arnaldo Baptista e a Rita Lee com suas bandas tocaram num mesmo evento com os Mutantes do Sergio Dias depois da saída deles e a segunda foi no Show de Aniversário de São Paulo em 25 de janeiro de 1974. O segundo show foi a nossa melhor performance pois, além de começar como o trio acústico da foto tocando as minhas músicas, apresentamos pela primeira vez o repertório do disco "Loki?" como power trio, com o Arnaldo revezando nos teclados e no baixo, o Marcelo Aranha na guitarra e eu na bateria. Ensaiávamos as músicas do "LOKI?" praticamente todos os dia na serra da Cantareira, na Mutantolândia. O ambiente era muito louco e o APOKALYPSIS surgiu na minha vida nessa época, meados de 1974. Por essa e outras razões não gravei com o Arnaldo o disco que considero a obra prima dele e, talvez, o melhor do Rock Brasileiro. Acho maravilhoso o Arnaldo ter conseguido gravar essa obra pois foi o auge dele como compositor e instrumentista, assim como considero, humildemente, o "1974" do APOKALYPSIS o meu auge como instrumentista. Em 1976 o Arnaldo voltou dos Estados Unidos com uma bateria Ludwig de dois bumbos incrível e me convidou para tocar com ele novamente. Nós sempre fomos bons amigos e sempre faziamos um som juntos, às vezes com o John Flavin, na casa do Arnaldo. Nessa época eu tinha acabado de conhecer a Silvia Helena, estávamos lançando nosso primeiro compacto "Maytrea & Silvelena" e achei que era melhor recomendar meu vizinho Rolando Castello Júnior para tocar com ele. Nosso amigo Cokinho já estava na área e então o Arnaldo Baptista, John Flavin, Cokinho e o Júnior fundaram o grupo Arnaldo e a Patrulha do Espaço. Aproveitaram o nome da Space Patrol, só que em português, e que tinha sido usado pelo Arnaldo como sub título da música "Honky Tonky", uma brilhante execução de piano solo dele no "Loki?" de 1974 e que, de certa forma, traduz bem o espírito da Space Patrol.
Peace, Love & a lotta Rock'n'roll!
Zé BRasil.
Zé BRasil.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Carlinhos Hyra
Dentro das ações de resgate do nosso rock setentista brasileiro atualmente estamos trabalhando no acervo do nosso querido amigo e fotógrafo Carlos Hyra que nos deixou abruptamente em 1981. É a melhor e a mais abrangente cobertura iconográfica daqueles anos de chumbo e ouro. Graças ao Carlinhos vamos conseguir rever o que se passou conosco durante aquele período. Bandas como o APOKALYPSIS, SOM NOSSO DE CADA DIA, TERRENO BALDIO, BURMAH, TERÇO, MUTANTES, PATRULHA DO ESPAÇO, JAZCO, JOELHO DE PORCO, MADE IN BRAZIL, SINDICATO e diversas outras foram fotografadas magistralmente por ele nos seus melhores momentos. Aguardem os eventos multiculturais que apresentarão a música e as imagens (inclusive pinturas, filmes e vídeos) que acontecerão daqui pra frente.
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